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Reciclável, mas será que recicla?

Foto do escritor: Sofia Matos de jesus Silva
Sofia Matos de jesus Silva
8 de set.
3 min de leitura

Atualizado: 6 de set.

Vi pelo Instagram esse relato de uma mulher que trabalha com a reciclagem de embalagens dos cosméticos que usamos.

No vídeo, ela explicava que o símbolo de “reciclável”, que muitas vezes dá pontos às marcas como “eco-friendly”, pode não servir de nada na hora da reciclagem.

Essa informação me levou a pesquisar um pouco sobre o assunto, e descobri que apenas cerca de 9% do plástico GLOBAL é realmente reciclado.

Ainda nessa linha de pensamento, vi em outro vídeo informativo um comentário de um usuário que perguntava se certos materiais realmente não poderiam ser reciclados ou se simplesmente não valeria a pena reciclá-los por causa dos custos. Achei a pergunta interessante, mas também um pouco injusta com quem trabalha nessa etapa do processo. Afinal, a reciclagem não começa apenas quando a embalagem chega a uma máquina: ela também precisa ser facilitada desde o momento em que o produto é projetado.

É esse tipo de detalhe que conta. E pensa só em quantas vezes você viu embalagens visualmente bonitas, com essas características bem na sua frente, e o produto ainda conseguiu te convencer, com aqueles tons terrosos e verdes e com desenhos de plantas, de que aquela era uma opção da natureza, derivada do natural.

Acho até que deve ser difícil pensar à frente assim, porque não se trata apenas da sua responsabilidade individual no descarte de resíduos, mas também sobre o que realmente é possível.

Alguns plásticos realmente não podem ser reciclados, mas, quando se trata do mundo dos cosméticos e dos produtos do nosso dia a dia, eu mesma me revolto com a farsa. Isso porque as próprias escolhas feitas no design e na comunicação das embalagens podem dificultar a reciclagem ou passar ao consumidor uma impressão ambiental melhor do que a realidade. Alguns exemplos são:

  1. Um rótulo ou adesivo feito de um material diferente da embalagem, como papel colado em plástico, pode dificultar a triagem e a reciclagem.

  2. Embalagens que combinam diferentes tipos de resina ou outros materiais podem exigir uma separação mais complexa e ter menor valor de mercado para reciclagem.

  3. Em vez de informar claramente a porcentagem de material pós-consumo (PCR) presente na embalagem, algumas marcas utilizam termos genéricos ou selos pouco claros, o que dificulta entender o quanto aquela embalagem é realmente reciclada ou reciclável.

Simbolo de reciclagem
Figura I. Símbolo universalmente utilizado para identificação do tipo de resina plástica.

Fonte: PNGWing.

O símbolo que você pode observar é universalmente utilizado ao lado de um número de um a sete para que seja possível a identificação da resina usada na embalagem. Esse tipo de identificação ajuda a reconhecer qual resina plástica foi utilizada e pode auxiliar na triagem do material para reciclagem.Vale ressaltar que o símbolo não significa que a embalagem será realmente reciclada.

Vamos de exemplos. A embalagem roxa que você pode ver no item 3 é da marca Palmolive, uma marca de shampoos. A lateral do recipiente tem um desenho de zíper, com a frase: “Remover o rótulo ajudará a garantir que a garrafa seja reciclável”.

Isso porque, se o cliente retirar a identificação da marca, o recipiente passa a ser transparente, o que auxilia na reciclagem por existir maior demanda por esse tipo de material.

Essa é uma solução interessante, porque facilita a separação dos materiais e pode favorecer a reciclagem da embalagem.A mesma coisa acontece com a própria tampa, que também é transparente e feita de material comum.


Imagem que mostra 3 exemplos de embalages citadas no texto.
Figura II. Exemplos de diferentes designs de embalagens cosméticas. Montagem da autora com imagens de National Geographic, Palmolive e Copark Embalagens.

A foto 1 tem um ponto que você provavelmente percebeu. Supondo que a retirada do rótulo já tenha acontecido, as cores fortes desses recipientes provavelmente dificultam a reciclagem, como no caso demonstrado no vídeo.

Já a foto 2 pode trazer problemas antes disso. Ao ampliar a imagem, é possível perceber que a maioria dos frascos tem diferentes componentes na tampa, no rótulo e no corpo da embalagem. Um design mais simples provavelmente encurtaria o processo de triagem, tornando a reciclagem mais viável.

No fim, a reciclagem não depende apenas do nosso descarte. A forma como a embalagem é projetada, antes mesmo de chegar às nossas mãos, também importa. Levo comigo que devemos começar a cobrar um pouco mais da indústria de cosméticos quanto a isso.

Fontes e Referências:

JOAGRO. “Principais dificuldades na reciclagem dos plásticos”. Blog Joagro.

JORNAL DA USP. “Apenas 9% do plástico global é reciclado; no Brasil, porcentagem ainda é menor”. Rádio USP.


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